

Final de semana perfeito, jantar e companhia especiais, com direito até a massagem relaxante nas costas para aliviar a tensão pré-prova. Esta que seria domingo, dia 1º/07, na cidade de Piratini, e fui bem avisado "lá vai ter subida, muita subida". Mas meu único medo estava em torno da bike, minha caixa de direção apresentou folga, foi para revisão e continuou estalando e gingando cada vez que eu pedalava em pé ou freava, e isso me dava muita insegurança. Bem, acordei cedinho, cafézão reforçadíssimo antes de cair na estrada, e nos fomos para Piratini, eu, Mário Menger e Diego Dias. Chegando lá, correria para colocar a roupa, dar uma última regulada na bike e aquecer, ou tentar aquecer, mas não tinha muito tempo e ultimamente tenho dado muita atenção para a parte de aquecimento, no início tinha muito medo de acabar cansando demais e ir mal na prova, hoje não, e graças as dicas do Professor Taimar Marinho tenho ido bem graças a preparação minutos antes da prova. Mas desta vez, aqueci por uns 10min (muito pouco tempo) subindo e descendo aquela ladeira inicial que para mim já estava de bom tamanho... Dada a largada, botei para girar, se alguém tentasse atacar no início eu iria atrás, e aí começaram elas, as descidas, fui acompanhando no ciclocomputador a velocidade 60, 65, 70, 72, 25.... ops, que que houve?? Não posicionei o imã corretamente que no transporte acabou ficando longe do sensor, então não teria nem um controle fiel da velocidade, nem controle da distância. E como eu queria saber a velocidade que eu estava naquelas descidas alucinantes. Estava encolhido atrás do guidão literalmente, aproveitando meu físico aerodinâmico hehe.

Quando avistava alguma subidinha curta, pedalava forte na descida para embalar e passar sem perceber, e o pelotão vinha junto. E assim nos fomos até o retorno, sim, agora teria que voltar tudo de novo, a prova era em circuito, 3 voltas de 18km, ou seja 9km curtindo a velocidade nas descidas e 9km sofrendo e muito para subir tudo de novo... Tinha a meu favor minha leveza, são apenas 70kg, dos quais 5% são gordura. Nas descidas alguns já tinham ficado para trás, começaram as subidas e o pelotão ía diminuindo mais ainda.
Quando terminamos os 9km de subidas, e começamos as descidas novamente, estávamos entre 4, uma bike estourou o pneu, sorte que não deu acidente. Agora eu e mais dois atletas, um da ULC de São Lourenço, e outro da RAO de Rio Grande, dois grandes atletas que não consegui acompanhar por muito tempo e acabei ficando para trás e sozinho, perseguido de longe por um atleta de Bagé. Aí começa a briga do bem e do mau na cabeça. A voz dizendo "vai que tu consegue" e a outra dizendo "larga essa bicicleta e pega carona com o carro de apoio, é muita subida, não vale a pena". E a distância entre os dois atletas e eu, só aumentava, e cada vez que eu passava pelo retorno conseguia avistar quem vinha atrás de mim, e o atleta de Bagé estava bem motivado a me caçar. Bem, cabia a mim decidir, ou mantinha a posição 3º lugar, ou tentava quem sabe alcançar ou pelo menos diminuir a distância do 1º e do 2º colocados. Comecei a lembrar, o atleta da ULC tinha chegado em 1º lugar nas outras etapas, o atleta Leandro Meireles da RAO tirou 3º lugar na última etapa e pedalou forte e sozinho contra o vento, e lá em Bagé foi ele que deu o ataque na subida que eu fiquei para trás, ou seja, era difícil.... Além do mais, o vento estava contra na subida, dando vantagem a quem pudesse revezar a ponta. Eu sozinho, me ralei.

Não queria terminar essa prova inteirinho, sem essa de não dar o melhor e competir de forma tranquila. Aumentei o ritmo, comecei a passar por retardatários de outras categorias, e isso ia me motivando. Aproveitei e calculei meu ciclo de cabeça, estava marcando 15km por volta e não os 18km. Numa descida encostei num ciclista e perguntei a velocidade que estávamos, ele gritou "passando de 80.." E aquela não foi a que eu fiz mais forte... segui puxando, não deixava a bike descer sozinha, pedalava pra manter o ritmo.

No retorno da última volta, subi forte, pedalava em pé, sentia a perna arder, meus braços estavam bem cansados pela posição nas descidas, e agora eu tinha que puxar a bike contra as pernas, usava o peso do corpo, chutava com toda força os clips. E eu sentia que estava indo rápido, estava passando por vários outros atletas de outras categorias, e quando olho à frente, na subida mais longa, o atleta da RAO, aumentei mais o ritmo e via nossa distância ir encurtando, logo encostei e descansei um pouco daquela pauleira. Então, ele me viu e fez sinal para eu passar, fui e ele veio na roda, pegando vácuo, comecei a fazer os zigue zagues, de um canto a outro da estrada para não protegê-lo do vento. Em seguida avisto uma outra subida curta mas bem inclinada, iria forçar, se ele estivesse cansado não aguentaria, e aguentou, um atleta fortíssimo, então a chegada seria no sprint.

Diminuí bem o ritmo, estava cansado e a perna doía, fiquei um pouco para trás, mas também não queria dar chances ao ciclista de Bagé. Ficamos lado a lado, roda com roda. E logo avistamos a chegada, com uma subida longa, mas nem tão inclinada, na base dela subi marcha, coroão (53 dentes), Leandro fez o mesmo, a chegada seria emocionante, já não importava a colocação, até ali já éramos campeões, mas sempre se dá o nosso melhor, calculei o momento certo para sprintar, e treino para isso, porém do meu lado estava um baita atleta, muito forte, precisava me superar. Subi na bike e dei tudo de mim, escutei a torcida da equipe do Leandro e vibrei, a perna queimava mas ainda trabalhava, não o vi do lado, olhei para trás e o avistei, já um pouco distante. Ufaaaaa, que alívio, linha de chegada, e que chegada....
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Pódium de campeões! |
Parabéns a todos atletas que participaram dessa prova duríssima, principalmente os atletas de Rio Grande, que precisam andar alguns km até uma estrada que não seja plana como as nossas para treinar...
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Atletas de Rio Grande |
Esse vai especialmente para ti Fabiane, apoio, motivação, carinho e dedicação:
Querido demais! Amei meu troféu e me acho merecedora dele mesmo, pela minha participação nos bastidores dessa conquista. Sempre na tua torcida
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